Minha experiência em uma comédia Stand up em Nova York

Cultura Norte-Americana

Em um post anterior, contei um pouco sobre os clubes de comédia stand-up aqui de Nova York. Contei sobre os comediantes que começaram aqui, como é a dinâmica dos shows, o conteúdo, a média de preços. No post você encontra também os melhores clubes de comédia de NYC.

Mas como é assistir a um stand-up comedy em Nova York para uma tupiniquim?

Vou te contar que estava com medinho de ir em um show desses por aqui. Mesmo já morando em NY há um tempinho e tendo melhorado MUITO meu inglês (que agora ganhou independência e vive por conta própria), os shows de comédia me assustavam.

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Isso porque quando você assiste um filme ou vê uma peça de teatro, mesmo que seja em outra língua, existe uma grande produção por trás, cenários e atores interagindo. Por mais que você não saiba todas as palavras e se perca um pouquinho, você consegue sacar o contexto e saber o que está acontecendo.

Um show de stand-up já não conta com essas facilidades. É apenas o comediante, um palco e seu microfone. Sua atenção tem que estar 100% no que ele fala, em entender tudinho e imaginar a história que ele está contando. Não é tão simples não…

Além disso, outro ponto que me preocupava era o conteúdo das piadas. Não que eu seja totalmente puritana e estava com medo de ele ofender alguém, longe disso. Eu estava é com receio de não entender as piadas por não ter “referências norte-americanas ou nova-iorquinas” suficientes.

Imagina no Brasil, um comediante faz piadas sobre os “portugueses”, sobre a vida de um jogador de futebol, políticos corruptos, crianças fazendo malabarismos no sinal, emos da Rua Augusta, etc, etc, uma porção de piadas internas que estrangeiro nenhum entenderia.

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Mesmo que nosso mundo hoje seja super “Americanizado”, existem referências que, somente quem vive o dia-a-dia da cultura americana e sabe das tradições do país, entende.

Mas eu queria muito ir em um comedy club. Eu sou fã de Seinfeld e adoro Lucky Louie e seria um grande pecado morar em NY e não ir a um comedy club. Então eu fui…

Não sentei tão perto do palco como queria porque o local já estava meio cheio. A mesa que eu e meus amigos pegamos era para 10 pessoas e como estávamos em 4, também sentaram conosco outras pessoas desconhecidas. Como comentei no post anterior, a maioria dos clubes cobra um mínimo de 2 drinks por pessoa, ou seja, você tem que pedir algo para beber e a maioria das pessoas acaba pedindo bebidas alcoólicas.

Isso não é problema para a grande maioria dos adultos, mas existe sempre um espertinho que bebe além da conta e depois fica fazendo piada alto durante o show e tentando interagir com o comediante. Nesse caso, esse espertinho estava na minha mesa (não era nenhum dos meus amigos!). Foi meio irritante, mas o cara foi embora logo e o show seguiu mais tranquilo depois disso.

O show em si foi bem bacana. Alguns comediantes eram hilários e sensacionais, outros não tinham muita graça não. Tive que dedicar minha completa atenção ao palco o tempo inteiro para conseguir acompanhar, coisa super complicada para mim que me distraio super fácil com Twitter, Instagram, conversas paralelas e companhia.

Eu diria que compreendi de 70% a 80% do conteúdo. Viver em Nova York e observar a Manhattan ao meu redor me deu grande repertório para isso. Foram contadas diversas piadas sobre o metrô de NY, os turistas, lugares da cidade, comportamentos típicos de nova-iorquinos e referências a programas de televisão e filmes.

Algumas poucas piadas sobre costumes, estereótipos de raças e política (ah, sim, eu detesto política!), eu realmente não entendi e perguntava para meus amigos americanos me explicarem porque todos estavam rindo tanto.

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É realmente necessário ter um inglês mais avançado para entender bem um show de comédia em Nova York, mas é uma experiência super divertida de qualquer maneira. Fui no Broadway Comedy Club e quero muito visitar outros clubes para ver as diferenças. Nova York possui características únicas e pessoas tão extremamente excêntricas que fica fácil fazer piada boa sobre a cidade!

(Post originalmente publicado por mim no blog Embaixador STB)

* Photo by raphaelstrada and Karen Ferreira, available under a Creative Commons Attribution.

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Designer interativa, publicitária por formação e jornalista por vocação, Bruna Calheiros mudou para Nova York para fazer seu mestrado em Interactive Telecommunication pela Universidade de Nova York (Tisch-NYU). Hoje trabalha como UX Designer na Estée Lauder e sua paixão é viajar pelo mundo nas horas vagas.

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